domingo, 5 de junho de 2016

MACONHA. COMEÇAR A FUMAR NA ADOLESCÊNCIA PODE LEVAR A UMA REDUÇÃO DO QI

 
Marc Valleur, psiquiatra no hospital Marmottan, em Paris – um dos mais importantes da Europa para o tratamento de pessoas viciadas no consumo de drogas - , detalha os efeitos de um consumo regular de cannabis durante um longo período.
 A partir de que quantidade consumida fumar cannabis se torna perigoso para o cérebro?
Ao contrário do álcool, há poucos critérios quantitativos para com a cannabis. Os viciados nesta substância são aqueles que a consomem muito e há muitos anos. É nesse momento que são observados os verdadeiros efeitos colaterais, incluindo estados alucinógenos e confusões. Antes, ocorrem, sobretudo perdas de memória.

Quais são os efeitos neurológicos de um consumo regular?
Começar a fumar antes dos 18 anos e por muitos anos, gera uma perda de pontos do quociente intelectual. Um estudo neozelandês, publicado em 2012 nos PNAS (famosa revista científica americana NDLR) um dos mais sérios já realizados, tinha sido feito seguindo uma coorte de mais de 1 mil crianças durante 38 anos. Verificou-se até oito pontos a menos de QI para essas crianças que foram os consumidores mais regulares ao longo dos anos. Este não foi o caso para aqueles que nunca tinham fumado a erva. Esta publicação também mostrou que fumar no início da adolescência, ou seja, quando o amadurecimento do cérebro ainda não está terminado, resulta em uma maior perda de QI em comparação com aqueles que começaram na idade adulta.

E quanto ao consumo ocasional?
Entre os jovens, o consumo da maconha para «relaxar» poderá causar problemas de
memória. Muitas vezes, os jovens sabem disso, aliás, a ponto de parar o consumo no momento das revisões de exames. O verdadeiro problema se refere aos que continuam a consumir cannabis regularmente, até mesmo quando já entraram no mundo do trabalho profissional e dos negócios. Eles são os pacientes mais problemáticos.

Na psiquiatria, é comum ver apenas dependentes de cannabis?
Não, muito pouco. O uso regular e intensivo é relacionado com  pessoas que querem se destacar ou que já tem problemas. Elas misturam a cannabis com álcool, ansiolíticos ou ao ecstasy, isto é, produtos bem mais perigosos que a própria cannabis. E ao contrário da heroína para a qual podemos monitorar os pacientes por dez anos, é possível parar com a cannabis em alguns meses. Me recordo de um rapaz de 25 anos que trouxe ao hospital o seu próprio pai, para fazê-lo parar de fumar cannabis. Ele havia começado muito jovem e seu filho já não aguentava mais vê-lo apático e “chapado” todo fim de semana quando ia visitá-lo. Em alguns meses, ele abandonou o vício sem maiores problemas.
 
 Por Anne Jouan – Le Figaro

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