segunda-feira, 13 de outubro de 2014

TRÊS POEMAS DE PATATIVA DO ASSARÉ E UM FOLHETO DO FUBÂNICO JANDUHI DANTAS


A SAUDADE DO TEMPO DE CRIANÇA – Patativa do Assaré

Fui menino e vivi sempre a brincar
Era linda e suave a brincadeira,
Arrastando um carrinho de madeira
No pequeno terreiro do meu lar.

Quando adulto vivi a trabalhar
Aguardando uma fase prazenteira
Mas a vida cruel e passageira
Tudo quanto promete vem negar.

Vivo triste pensando no porvir
Cego e surdo sem ver e sem ouvir
A beleza da estrela do bonança.

Desta forma meu sonho foi desfeito
Tenho apenas guardada no meu peito
A saudade do tempo de criança.

* * *

AMANHÃ – Patativa do Assaré

Amanhã, ilusão doce e fagueira,
Linda rosa molhada pelo orvalho:
Amanhã, findarei o meu trabalho,
Amanhã, muito cedo, irei à feira.

Desta forma, na vida passageira,
Como aquele que vive do baralho,
Um espera a melhora no agasalho
E outro, a cura feliz de uma cegueira.

Com o belo amanhã que ilude a gente,
Cada qual anda alegre e sorridente,
Como quem vai atrás de um talismã.

Com o peito repleto de esperança,
Porém, nunca nós temos na lembrança
De que a morte também chega manhã.

* * *

VIVA O POVO BRASILEIRO ! – Patativa do Assaré

Quando passarem as chacinas,
Que surgem de dia a dia,
E tráfico de cocaína
E a real democracia
Seguir os caminhos certo
E os Chicos Mendes libertos
Das balas do pistoleiro
Diremos em nossa terra,
Por vales, sertão e serra:
‘Viva o povo brasileiro!’

Quando o artista que tem fama
E ocupa o televisor
Só apresentar programas
De moral, de paz e amor,
Quando o cruel mercenário,
Este monstro sanguinário,
Deixar de ganhar dinheiro
Pra matar seu semelhante
E não houver assaltante,
‘Viva o povo brasileiro!’

Quando o infeliz agregado,
Se libertar do patrão
Para viver sossegado
No seu pedaço de chão;
Quando uma reforma agrária
Que sempre foi necessária
Para o caboclo roceiro
For criada e registrada
Em nossa pátria adorada
‘Viva o povo brasileiro!’

O sonho de nossa gente
Foi sempre viver feliz
Trabalhando independente
Em nosso grande país
Quando o momento chegar
Do nosso Brasil pagar
O que deve ao estrangeiro
O maior prazer teremos
E libertos gritaremos:
‘VIVA O POVO BRASILEIRO!’

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