quinta-feira, 9 de outubro de 2014

BESTEIROL


Já trepei na cumeeira De lá espiei o chão E na hora de coisar Dispensei o meu colchão Eu gosto duma zoeira Mas nunca fui Zé Limeira Pois é muita pretensão.

Eu já briguei com diabo Fiz as pazes com Jesus Com medo do satanás Eu fiz o Sinal da Cruz Lá no confessionário Levei pro senhor vigário Prato e meio de cuscuz.

Eu parti a rapadura Dela fiz pé-de-moleque Acabei na sepultura Meu carro perdeu o breque Num dia de pouco vento Eu me escanchei num jumento E me abanei com um leque.

Não tenho medo de arame Não sendo ele farpado Pulei cerca de faxina Pra ver um cabra safado Quando ele deitou no chão Esbarrou num cansanção E brochou lá no cercado.

A lua nasceu bonita Por detrás lá do serrote Eu sei que você tem sede Mas eu vou quebrar o pote Eu gosto de cobra cega A que enxerga não me pega Porque só come caçote.

Quando a seca sapecava O povo do meu sertão Eles vinham pra São Paulo Em busca de salvação Agora a coisa mudou São Paulo também secou Quem me disse foi São João.

Perereca saltitante Só cai em boca de cobra Cobra atrás de perereca De tamanho ela dobra Na bunda de cangaceiro Vira o maior salseiro Um juiz assina a obra.

Estes versos sem sentido Pra fazer tive razão Já estou de saco cheio Só se fala em eleição O povo besta brigando E o político tentando Se firmar na profissão.

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