sábado, 11 de outubro de 2014

AVENTURAS DE ZÉ POIVINHA OU VIDA BOA, A DE DOUTOR!



zé poivinha

Poivinha, quando menino
Foi brecheiro e onanista
Adolescente ele andava
Agarrado com revista
Playboy, estudando para
Ser um ginecologista.

De Playboy e Ele&Ela
Possuía a coleção
Jamais perdia o Chacrinha
Porque na televisão
Admirava as chacretes
Com a sua exibição.

Ingressou na faculdade
Porque vontade ele tinha
De estudar o “cara-preta”
Do jeito que lhe convinha
Como era presepeiro
Lhe apelidaram “Poivinha”.

Seis anos de bom estudo
No Pernambuco afamado
Poivinha provou que era
Um aluno dedicado
E ao cabo deste período
Ele já estava formado.

Dr. Poivinha não quis
Clinicar na capital
Foi abrir seu consultório
Na sua terra natal
Onde também trabalhava
No posto e no hospital.

Em plena zona rural
Nas margens de um açude
Ficava em lugar distante
O tal posto de saúde
Poivinha, trabalhador
Comparecia amiúde.

Porém, pra seu desalento
Só chegava mulher feia
Geralmente com mau cheiro
E além do mais, alheia,
Com o “cara-preto” feioso
Igual aranha na teia.

Jamais chegou uma dama
Dizendo-lhe com carinho
Doutor, olhe o meu negócio
Como está bem cheirosinho,
Com saúde e depilado,
Observe o bigodinho…

Não, meu amigo, o doutor
Dizia contrariado:
– Só me chega bicho feio
Torto, sujo, esculhambado,
Uns fedendo a bacalhau
Outros, a chifre queimado.

Um dia, dr. Poivinha
Depois de ter atendido
No tal posto de saúde
Voltava bem entretido
Dirigindo um velho jipe
Pelo Prefeito cedido.

Era pleno meio dia,
Fazia um grande calor
Numa curva da estrada
O nosso caro doutor
Vê uma velha pulando
A cerca de passador.

Pesava quase cem quilos
Vermelha que só pimenta
Com um balaio na cabeça
Suando até pela venta
De longe ele pressentiu
Que ela vinha fedorenta.

A velha se atravessou
Na frente da condução
Disse: – Dotô, pare o carro!
Me preste bem atenção
Eu quero me “receitar”
Nessa mesma ocasião.

O doutor disse: – Pois não,
Comigo não tem besteira
Diga-me o que está sentindo…
Disse a velha: – Uma coceira
Nas partes, porque um bicho
Me mordeu, na capoeira.

Era doença venérea
Mas a velha não dizia
Puritana, envergonhada,
Por alí se contorcia…
– Dotô passe uma pomada,
E me acabe esta agonia!

Disse Poivinha: – Eu preciso
De tudo ser informado
E esse diagnóstico
Não pode ser apressado
Tire a roupa que eu vejo
O seu caso com cuidado.

- Cumé quié o negóço??
Que dotôzim atrevido!!!
Eu sou u’a muié dereita,
Desde já fique entendido
Que só tiro a minha roupa
Na frente do meu marido!

E digo mais uma coisa
Isso é verdade, eu lhe juro
Só arribo a minha roupa
Em lugar qui seja escuro
Isto é, quando o meu véi
Se acha com aquilo duro!

Disse o Poivinha: – Senhora
A isso não se oponha
Já vi tanta mulher nua
Que a senhora nem sonha…
Disse a velha: – Tiro o quê…
Tô morrendo de veigonha!

Minha senhora, me escute
Por favor, não leve a mal
Se preferir eu a levo
Para um leito de hospital
Saiba que na medicina
Isso é coisa natural.

Depois de muita insistência
A velha no mato entrou
Debaixo de um juazeiro
Por um instante hesitou
Contudo, criou coragem
E a saia levantou.

Havia três urubus
Em cima de uma estaca
Foram baixando depressa
Quando sentiram a inhaca
O negócio era mais feio
Que uma briga de faca.

Nesse instante foi passando
Uma pobre borboleta
Caiu durinha no chão
Morreu fazendo careta
Quando sentiu a catinga
Do diacho do “cara-preta”.

Dr. Poivinha, coitado,
Quase tem um estupor
O mau cheiro se espalhava
Devido o grande calor,
Então a velhota disse:
– Vida boa, a de doutor!!!

Boa por quê, minha cara?
Eu não sei qual é a sua…
Disse a velha: – Ora mais esta,
Ô vida boa essa tua
Além de ganhar dinheiro
Todo dia vê muié nua!

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