quarta-feira, 1 de outubro de 2014

A RESPOSTA DO ESPELHO

Responda-me espelho meu, O que foi que aconteceu Com a minha tenra aparência? Está tão desfigurada, Já não expressa mais nada Dos tempos da adolescência.

Porque fez isso comigo? Penalizou-me um castigo, Que não fiz por merecer; Cadê minha mocidade, Responda por caridade, E queira me devolver!

Rebobine aí seus planos, E traga os meus vinte anos, Faça isso espelho meu! Devolva as minhas quimeras. Vividas em outras eras Pra que eu, volte a ser eu!

Restitua meu sorriso E não me deixe indeciso Sem ter uma explicação Amargando esse queixume; Porque apagou meu lume? Diga qual foi a razão!

A minha fugacidade, Trocou por morosidade, O que foi que aconteceu? Depois de ouvir tudo isso O espelho não foi omisso, E assim me respondeu.

Meu amigo, no entanto! Não vou lhe causar espanto, Nem lhe motivar surpresa Mas, esses reais contrastes, Que lhe afligem, são desgastes, Provindos da natureza.

Por isso que lhe consiste, Achar essa imagem triste, Mas, saiba que é sempre assim, Então não tenha receio; Já viveu princípio e meio, Está caminhando pra o fim.

Sem que acarretasse afronta, Aquela resposta pronta Do espelho, que sem maldade, Deu-me uma grande lição; E após a reflexão, Vi que era a pura verdade.

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