domingo, 7 de setembro de 2014

BROCOIÓ DE COIPO E AIMA


Num nego, sô brocoió,
De procedença matuta!
Vivo na minha labuta
Morando nos cafundó
Donde a vida é marmió
Duquê in quarqué cidade
Pois a roça na verdade
É um taquin do paraíso
Tem de tudo queu priciso
Pra sinti filicidade

Meu vivê cum liberdade
Andano dento do mato
Sem caricê de bom trato
Nem cuidá de vaidade
Aqui eu fico avontade
Pra fazê o queu quizé
Agino de boa-fé
Meus zoios faguia in brios
Conde dô bejo in meus fios
E abraço a minha muié.

Aimo um quixó ou um mondé
Pru mode pegá preá
Como as fruta do juá
As bola de catolé
Pesco cum meu jereré
Ou de mão, peixe na loca.
Broa, beiju, tapioca,
Mungunzá, cuscuz, xerém,
E de tardezinha tem
Café quente cum pipoca.

Farinha de mandioca
Pra misturá cum feijão
Teju e camalião
Eu caço cá soca-soca
Ranjo isca de minhoca
Pesco de anzó no riacho
Banana, tiro do cacho,
Já quaje amaduriceno
Pra merendá tô cumeno
Raspa de queijo no tacho.

Sou matuto “cabra macho”
Aguento munto ripucho
E tando chei o meu bucho
Quaiqué trabai eu dispacho
De noite eu acendo um facho
Pra crariá o terrero
Na paioça um candiero
É quem faz a craridade
Mato a sede de verdade
Cás água do meu barrero.

Quesse meu jeitão grossero
De couro é o meu chapéu
Fico inspiano pro céu
Contemprando o nevuero
Inscuito lá no chiquero
Um poico véio chiando
Vejo a galinha ciscano
Pralimentá a ninhada.
Me acordo de madrugada
Cum os passarim cantano.

Inspio a lua briano
Nasceno por traz do monte
Sem luz o só no horizonte
Já tá quaje se apagano
A papa ceia piscano
Avisa, nuinguém se afoite,
E o vento cum seus açoite
Trazeno a brisa ligera
Tá quá bassora faguera
Barreno a boca da noite,

Sou pueta, e na pré-noite
Decramo um belo puema
Ao som da siriema
Qui canta na entrenoite
Apreciano a sonoite
E as coisa da natureza
Chega a mulé de supresa
Só pra mode mi dizê
Meus amô chegue cumê
Cá janta já tá na mesa.

Eu num cunheço tristeza
E vivo só de aligria
Num mundo de fantasia
Rudiado de beleza
Onde dúvida e incerteza
Aqui num passa, pru certo,
Vivo de peito liberto
De mágua agrura e langô
Pruque o pranto e a dô
Num vai passá nem pru perto.

Assim nesse céu aberto
Tenho a vida prazentera
Inscuitano a cachuera
Oiano o campo diserto
Cumo camponês insperto
Agino cum muita caima
Gradeço a Deus bato paima
Bastante lisongiado
Sinto oiguio in sê chamado
Brocoió de coipo e aima!

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