domingo, 24 de agosto de 2014

Ilha de Itamaracá


Ontem, assistindo ao Jornal Hoje, da Rede Globo, mais uma vez assisti aborrecido uma informação errada daquela emissora.

Já me ofereci algumas vezes para “assessorá-la” no que se refere à língua tupi. Como até hoje não se manifestaram a respeito, não vou me oferecer novamente. Mas reservo-me o direito de criticá-lá quando transmite informações erradas aos espectadores.itamaraca

Ontem, foi dia de reportagem sobre a Ilha de Itamaracá, que o repórter disse significar “PEDRA QUE CANTA”. (Confira clicando aqui). Certamente, deve ter pesquisado no Wikipédia, em lugar de procurar autores confiáveis.

E o que diz o Wikipédia: “A expressão “Itamaracá” deriva da língua tupi e significa “pedra que canta”, a partir da junção dos termos itá (“pedra”) e mbara’ká (“chocalho”).”

Ou seja, a idiotice está explícita. Maracá é chocalho. Chocalho não canta, chacoalha! Entre chacoalhar e cantar há uma diferença abissal. ITAMARACÁ é chocalho de pedra. De pedra, porque na língua tupi o complemento nominal vem antes. Imagino que naquela Ilha, alguma pedra deve reproduzir o som de um chocalho ou até mesmo soar como um sino. Mas pedra não canta, nem aqui, nem em Itamaracá, nem na PQP!

Até mesmo a cascavel é chamada pelos índios de MARACAMBOIA, ou seja Cobra (M’boia) de Chocalho (MARACÁ). Quando eu tiver o prazer de visitar aquela ilha, acho que vou levar o violão e fazer alguns acordes pra ver se alguma pedra da região canta. Como diz o colunista José de Oliveira Ramos: “Tem futuro um cabra desses?”

Um abraço.


 HARDY GUEDES

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