terça-feira, 26 de agosto de 2014

GRANDES MOTES, GRANDES GLOSAS

Zé Cardoso glosando o mote:

Essa roupa de couro empoeirada
É a prova que vim lá do sertão.

A lembrança do campo, ainda carrego,
Porque foi minha única faculdade.
No momento que eu entro na cidade,
Eu me sinto perdido e não lhes nego:
Eu sei dar nó de porco, dou nó cego,
Mas um nó de gravata, eu não dou não.
Mas, caindo uma corda em minha mão,
Num segundo tá feita uma laçada.
Essa roupa de couro empoeirada
É a prova que vim lá do sertão.

* * *

Andrade Lima glosando o mote

Duas doses de saudade
Deixam a gente embriagado.

Não tem conhaque que faça
Meu peito se embriagar
Mas, já vi gente tombar
Sem beber essa desgraça.
Pois pior do que cachaça
Encontrei bem do meu lado
Senti meu peito apertado
E pra falar a verdade:
Duas doses de saudade
Deixam a gente embriagado.

A saudade é muito forte
Pode crer meu camarada.
Que quem sente essa danada
Parece que vê a morte.
Embarquei nesse transporte
E foi triste o resultado.
Não morri, mas fui trancado
E a Deus pedi piedade.
Duas doses de saudade
Deixam a gente embriagado.

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