terça-feira, 5 de agosto de 2014

A falena


Não carece que ela venha me buscar
nem tão pouco lhe darei meu endereço
sem missal, sem rosário e sem terço
não há missa, nem vinho e nem altar.

Não serei sua presa e nem troféu
não serei desjejum e nem banquete
não serei nem bainha, nem florete
nem serei um mais um a ir pro céu.

Correrei as veredas desta vida
com vigor sentirei o chão de perto
e vigil manterei o campo aberto
a cobrir minhas léguas sem medida.

Serei o senhor de meus desejos
a plantar os meus sonhos mundo a fora
e meu sino soará em sua hora
refletindo em mistura de lampejos.

Não me venha buscar em tempo errado
não me espreite voraz em uma esquina
não destrua o cumprir de minha sina
pois não sou da senhora um seu criado.

Saberei sucumbir em tempo incerto
pois pro fim só se tem dual maneira:
por fraqueza, ou traição vil e rasteira
por doença, ou senão uma leseira.

É o sol que me leva e me alumia
no rompante arrebol de meu começo
e agora se desfaz em adereço
derramado em difusa harmonia.

Findarei tão áureo neste hélio
a cumprir o caminho deste arco
conservado de mistério neste marco
no poeta a se findar – Marco di Aurélio.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado por interagir conosco