sexta-feira, 6 de junho de 2014

O sonho de Olegário Cascavel


Esta história que eu vou lhe contar, muita gente pensa que não, mais ela aconteceu de verdade, Os protagonistas foram o grande pintor Olegário Cascavel e minha prima Maria Fonseca.

Ambos moravam em Itaporanga na Avenida Pedro Américo, hoje com muita justiça Soares Madruga, Em relação a avenida, Olégario morava um pouco acima de Maria e por esta razão toda manhã quando descia para o centro da cidade, obrigatoriamente passava em frente da casa de Maria Fonseca: Maria era jogadora compulsiva do jogo do bicho e por isso todas as manhãs fazia a mesma pergunta a Olegário, ou seja; "Olegário sonhou com algum bicho”? E Olegário diariamente respondia: "Não sonhei com nenhum bicho, Maria".
 
Mas, esta insistência de Maria fez com que Olegário, que era bastante inteligente, preparasse um sonho exclusivo para ela. Nesse dia Olegário acordou mais cedo e ficou na calçada esperando que Maria botasse a cara na janela e quando isso aconteceu, ele normalmente começou descer a rua, Ao passar em frente de Maria ela perguntou: "E hoje Olegário sonhou?" Olegário muito sério respondeu: "Hoje Maria Sonhei". E Maria compulsivamente pediu: "Conta Olegário, conta o sonho".

Aí, Olegário começou: "Maria, eu sonhei que ia levar uma avestruz na casa de minha tia águia (Agida). Eu ia montado num burro muito arisco e ele de uma moita de mata-pasto voaram umas borboletas por causa do latido de um cachorro que vinha acuando umas cabras e uns carneiros. Maria, o burro quase me bota a baixo, minha sorte foi que chegou seu Zé Camelo e segurou o animal pelas rédeas, mais foi pior Maria, pois o bicho parou em cima de uma touceira de cobras jararaca que o picou tanto que o danado morreu e eu fiquei à pé.

A minha sorte Maria, é que chegou Severino Coelho, aquele mascate da Mamuda, que ia para Boqueirão levar uns cavalos e foi logo dizendo, se quiser ir monta e vamos embora, pois, tá escurecendo, vai cair chuva e temos que subir a serra do elefante e chegar do outro lado antes do cantar elo galo, pois, temos que atravessar a lagoa dos gatos pela madrugada porque nessa hora os jacarés estão dormindo.

E aí Maria tocamos viagem, pois, eu queria alcançar meu irmão Joca Leão que tinha ido mais Duca Crisanto pra serra dos macacos comprar uns porcos, um casal de pavão e uns perus para vender na feira de Patos.

Depois que atravessamos a lagoa, entramos num corredor estreito e mais uma vez um susto, pois, de repente aparece um touro em disparada fugindo ele uma onça (tigre). Sabe como é, naquela serra de Santa Rira tem muita onça, né Maria? Quando a onça nos avistou, deu lima brecada e em seguida urrou, mais um urro tão forte que mais parecia um urso. O berro do bicho foi tão violento que meu compadre João Veado, escutou ela casa dele que ficava a uns duzentos metros de onde a gente estava.

Mesmo assim ele soltou o balde que estava tirando leite de umas vacas, pegou a espingarda e correu na direção elo urro. Nessa altura eu me acordei assustado, com o coração querendo saltar da "caixa". E com muita tranquilidade, olhou para Maria e perguntou: "Que bicho dá Maria?". E Maria fula de raiva respondeu: “O rabo ela mãe negro fela da puta".

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