quinta-feira, 21 de março de 2013

O cartão de crédito


O ano foi o de 91, por aí assim. O fato se deu da seguinte forma: um político de oposição, sem mandato e carpindo uma derrota recente, procurou o paraibano Lafaiete Coutinho Torres, então presidente do Banco do Brasil, para pedir um cartão de crédito. Tinha, como principal credencial, o título de presidente de um pequeno partido, coisa que foi insuficiente para sensibilizar o banqueiro oficial, que, depois de dias e dias de enrolação, terminou informando ao pretendente que não poderia lhe dar o tal cartão, por motivos políticos.
O político que não mereceu ao menos o crédito a um cartão (coisa que hoje é oferecido à qualquer Zé Povinho a troco de banana) chamava-se e ainda chama-se Luiz Inácio Lula da Silva, que veio a ser o presidente eleito do Brasil. Quem deu a ordem para que o cartão fosse negado foi o então presidente Fernando Collor de Melo, mais tarde banido da Presidência e que depois tornou-se lulista de carteirinha como senador da bancada governista em Brasilia.

Este fato foi contado pelo próprio Lula, durante entrevista à repórter Clarice Brandão, da Gazeta Mercantil, durante uma viagem internacional.

O velho adágio popular que diz: “nada como um dia atrás do outro, com uma noite no meio”, se encaixa com perfeição ao caso contado aqui. Lula da Silva tornou-se logo depois  dono do Banco que lhe negou um cartão, com o poder de nomear o seu presidente, de distribuir quantos cartões quisesse, de emprestar dinheiro a fundo perdido, de financiar o que  entendesse. Lafaiete, o raia miúda que esnobou o operário de dedo cortado e de crédito negado, vive anonimamente no Estado de São Paulo, enquanto Collor de Melo, o ex-caçador de marajás, tenta a todo custo voltar ao governo de Alagoas, sem ter certeza de sucesso.

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