domingo, 6 de fevereiro de 2011

FÉ EM DEUS (por vavadaluz)

Fé em Deus

Fé em Deus é uma poesia que,como tantas outras, foi cortada na carne, sentida na pele, vivida na alma, portanto só as pessoas bem próximas de mim a entendería.. Se faz necessário lembrar que, com oito meses de vida, perdi, vítima de câncer, minha mãe, fui criado pelo meus avós que com a ajuda de uma tia solteira se empenharam nessa árdua tarefa.

Acontece que com oito anos, perdi minha outra mãe, a minha avó.Depoisdisso, vieram os percalços, as agruras da vida, as injustiças, as fases ruins, perdi primos queridos como irmãos , perdí, vitima de acidente automobilístico, meu primeiro filho com apenas dezoito anos de idade, adquiri um câncer de próstata e por ultimo Deus levou-meminha Tia_mãe

Mesmo assim digo sempre que se existe uma pessoa com que Deus dividiu em parcelas iguais momentos bons e ruins, essa pessoa sou eu, VAVA DA LUZ.

Foram muitos Natais alegres, fartos, iluminados, completos, como também foram muitos tristes,opacos e por um ano, dois ,três, mas sempre com a esperança de que o próximo seria melhor e é por esse e muitos outros motivos que digo :

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Na estrada de pedras dessa vida

Eu nasci, certo dia, certa vez

Foram tantas topadas acontecidas

Que esqueci dia, hora, ano e mês

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A primeira me veio tão pequenino

Que nem lembro como isso aconteceu

A mulher de cuidar do meu destino

Sem destino, deixou-me e faleceu

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E eu fiquei, inocente, feio e pobre

Indefeso, a mercê de quem queria

Meus avós em atitude santa e nobre

Me criaram, com ajuda de uma tia

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E mais pedras na estrada surgiría

Onde o mais tenro laço vira nó

Nove anos eu tinha e perderia

Minha outra mamãe, a minha avó

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Empurrado na roda da existência

Fui saltando as pedras dessa estrada

Aprendi a perder, com paciência

E ganhar muito pouco ou quase nada

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Como árvore, cresci, fiquei maduro

Com raízes fincadas, firme e forte

Vi meu fruto caindo no chão duro

E levado pra sempre pela morte

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Resistí, não parei, produzi mais

Como a planta no seu metabolismo

Vê seu fruto se ir, ela incapaz

Vi um câncer roer me organismo

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Vi partir os meus entes mais queridos

Sem adeus, até logo ou algo assim

Muito deles, no auge, embevecidos

No começo da vida, teve fim

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Vi fugir de mim mesmo a resistência

Vi de pé, tropeçar os sonhos meus

Vi em mim alojar-se a impotência

E o ato de amar dizer-me adeus

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Vi a dor superar a alegria

Vi o pranto partir o meu sorriso

Vi no rosto do outro a ironia

Mesmo assim construí meu paraíso

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Não maldigo as topadas dessa vida

Elas sim, purificam os dias meus

E a razão dessa força não perdida

Simplesmente se chama FÉ EM DEUS

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