sexta-feira, 1 de outubro de 2010

O especialista e a engenheira

Um especialista de sistemas meio introvertido finalmente conseguiu realizar o sonho da sua vida: um cruzeiro. Era a coisa mais doida que tinha feito até então.

Estava começando a desfrutar da viagem quando um furacão virou o navio como se fosse uma caixa de fósforos. O rapaz conseguiu agarrar-se a um salva-vidas e chegar a uma ilha aparentemente deserta e muito escondida.

Deparou-se com uma cena belíssima: cachoeira, bananas, coqueiros... mas quase nada além disso. Ele se sentiu desesperado e completamente abandonado.

Vários meses se passaram, até que um belo dia apareceu, remando, uma belíssima engenheira, daquelas de fazer parar o trânsito.
A engenheira começou logo uma conversa:

- Eu sou do outro lado da ilha. Você também estava no cruzeiro?
- Estava! Mas onde conseguiu esse bote?
- Simples eu sou engenheira e usei meus conhecimentos!
- Tirei alguns galhos de árvores, sangrei umas seringueiras, defumei até virar borracha, reforcei os galhos e fiz a quilha e os remos com madeira de eucalipto.
- Mas... com que ferramentas?
- Bom, achei uma camada de material rochoso, evidentemente formado por aluviões. Eu descobri que esquentando esse material a certa temperatura, ele assumia uma forma muito maleável.

Mas chega disso! Onde você tem vivido esse tempo todo? Não vejo nada parecido com um teto...

- Para ser franco, eu tenho dormido na praia...
- Gostaria de ver a minha casa?

O especialista de sistemas aceitou, meio sem jeito. A engenheira remou com extrema destreza ao redor da ilha. Quando chegou no "seu" lado, amarrou a canoa com uma corda que mais parecia uma obra-prima de artesanato.

Os dois caminharam por uma passarela de pedras e madeira construída pela engenheira, e depararam, atrás de um coqueiro, com um lindo chalé construído sobre palafitas, pintado de azul e branco.

- Não é muito, disse ela, mas eu o chamo de "meu lar". Já dentro, ela procurou deixá-lo à vontade: - Sente-se, por favor! - Aceita um drinque?
- Não, obrigado! Não agüento mais água de coco!
- Mas não é água de coco! Eu tenho um alambique meio rudimentar lá fora, de forma que podemos tomar Piñas coladas autênticas!

Tentando esconder a surpresa, o especista de sistemas aceitou. Sentaram no sofá dela para conversar. Depois de contarem suas histórias, a engenheira perguntou:

- Você sempre teve barba?
- Não. Toda a vida eu andei bem barbeado.
- Bom, se quer se barbear, tem uma navalha lá em cima, no armarinho do banheiro.

O homem já não perguntava mais nada. Subiu uma escada em caracol e foi em cima, no banheiro, e fez a barba com um complicado aparelho feito de osso e conchas, tão afiado quanto uma navalha. A seguir, tomou um bom banho, sem nem querer arriscar palpites sobre como ela tinha água quente no banheiro. Desceu sem poder deixar de se maravilhar com o acabamento do corrimão.

- Você ficou ótimo! Vou lá em cima também me trocar por algo mais confortável.

Nosso herói continuou bebericando sua piña colada. Em instantes a engenheira estava de volta, com um delicioso perfume de gardênias e vestindo um estonteante e revelador robe, muito bem trabalhado em folhas de palmeira.

- Bom, disse ela, ambos temos passado um longo tempo sem qualquer companhia.... Você não tem se sentido solitário? - Há alguma coisa de que você sente muita saudade? Que lhe faz muita falta e da qual todos os homens e mulheres precisam?

- Mas é claro, disse ele esquecendo um pouco a sua timidez. Tem uma coisa que venho querendo todo esse tempo.
- Até sonho com isso a noite.
- Mas... aqui nesta ilha... sabe como é... era simplesmente impossível.

- Bom, ela disse com um sorriso maroto, já não é mais impossível, se é que você me entende...

O rapaz, tomado de uma excitação incontrolável, disse, quase sem fôlego:

- Não acredito!
- Você não está querendo dizer que... você bolou um jeito de pegar os seus
e-mails aqui na ilha?

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