terça-feira, 5 de outubro de 2010

MULHER DE RORIZ REVOLUCIONA LÍNGUA PORTUGUESA


Weslian Roriz nega que tenha sido a ghost-writer de alguns dos mais eloqüentes discursos de Churchill. “Apenas sugeri a ele que intensificasse o combate ao sangue, ao suor e à lágrima.”

COIMBRA – Um dia após receberem a gravação da íntegra do debate promovido pela Rede Globo com os candidatos ao governo do Distrito Federal, uma junta de acadêmicos da Universidade de Coimbra convocou em regime de urgência um colóquio para debater “as notáveis contribuições sintáticas e semânticas de Weslian Roriz para o patrimônio lusófono”.

O eminente filólogo português Leite de Vasconcelos abriu a primeira sessão (“Rupturas e Continuidades na Prosódia Wesliana”) afirmando que, desde Antonio Viera, “a língua portuguesa não lhe causava tamanha vertigem”. O acadêmico explicou que passará os próximos dois anos debruçado sobre a frase “Vamos implantar a saúde do servidor público”, cujas complexidades de forma e sentido “me lembram um Gregório à luz de Gôngora”.

Presentes ao debate, Haroldo de Campos e Décio Pignatari discordaram veementemente quanto às influências literárias de Weslian Roriz. Campos sustentou que a presença de Ezra Pound é cristalina na frase “Nós vamos intensificar o combate de tudo o que o senhor perguntou para mim.” Pignatari escandalizou-se com a afirmação, redargüindo que “só um equivocado não perceberia o magma eliotiano que alimenta o aço desta sentença.”

O poeta e compositor Arnaldo Antunes encerrou o simpósio versejando algumas locuções da candidata: “Defenderei/Toda a Corrupção/Desde que ache o papelzinho/Com a pergunta técnica/Da assessoria/Se Deus quiser/Se Deus quiser.”

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