segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Os "Santos"

Juliana foi ao ginecologista e descobriu que tinha uma ferida no útero, carecendo fazer queimagem para evitar que a coisa ficasse feia. Depois da primeira queimagem, Juliana desistiu do tratamento médico porque o pastor da Igreja Universal do Reino de Deus garantiu que Jesus a curara da doença em troca de dízimos semanais que variavam entre 100 e 40 reais, dependendo das posses da nova adepta do céu.

Passaram-se dois anos e agora Juliana deu entrada na Maternidade Cândida Vargas, aqui em João Pessoa, com um sangramento que não parava de jeito nenhum. Tiraram um pedaço do útero dela, mandaram fazer biópsia e a ferida que Jesus salvara tinha virado um câncer.

Juliana foi transferida para o Hospital Napoleão Laureano, especializado em tratamento de cancerosos, esperando a hora de morrer. O pastor que comeu o dinheiro dela, por seu turno, continua promovendo as suas sessões de descarrego, prometendo terrenos celestiais para os idiotas que aceitam dar tudo o que têm em nome de uma salvação utópica, sem ter que prestar contas às autoridades por mais essa morte anunciada.

A igreja virou negócio e bom negócio. Vemos a Universal estendendo seus tentáculos para o mundo. Aqui na Paraíba os seus pastores picaretas não dispensam nada. A mãe de uma colega de trabalho compareceu ao culto de Mangabeira e quando correram a mochila ela disse que só dispunha do dinheiro do transporte. Mandaram que colocasse as pratas que tinha em nome do Senhor e ela colocou. Só não voltou a pé para a casa no Marcos Moura porque lembrou-se de uma irmã residente no Conjunto, que lhe emprestou um vale transporte.

E a tendência é crescer. Os abestalhados dão o que têm e se for preciso roubam em nome da salvação. E os adeptos do bispo Macedo crescem, se elegem deputados, senadores, prefeitos e vereadores; tornam-se donos de cadeias televisivas, constroem um templo suntuoso na principal avenida de João Pessoa com o dinheiro dos miseráveis e o poder é tanto que nem mesmo as autoridades se atrevem mais a contestar a ação demoníaca dessa seita do capeta.

Enquanto isso, Juliana amarga o seu final num leito de pobre do Laureano, precisando de transfusão de sangue para atrasar a chegada da morte.

Tião Lucena

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